sábado, 5 de fevereiro de 2011
Cisne Negro (Black Swan)
Darren Aronofsky, o diretor que nos fez olhar para uma geladeira com outros olhos no sensacional "Requiém para um Sonho" (1999), atacou novamente, dessa vez num universo um tanto quanto antiquado, o balé clássico.
Longe de ser um filme sobre o balé, o filme é sobre uma bailarina, Nina, interpretada pela Natalie Portman. Um novo espetáculo está para estreiar e o escolhido é O Lago dos Cisnes, e pra estrelá-lo, ela precisa explorar a sua dualidade, já que ela é um Cisne Branco nato, virginal, pura e precisa. Mas ela precisa fazer emergir dela o Cisne Negro, vívido, provocante e sensual. Ela é apenas uma elegante bailarina de caixinha de música e precisar virar uma mulher que assume e vive seus desejos para o espetáculo atingir o que o diretor quer. E é aqui que o Darren conduz com maestria, na desconstrução da personagem, entramos na mente doentia e perturbadora de Nina e o que vemos é sombrio e assustador, nós conhecemos a personagem a medida que ela se conhece. O fio condutor do filme é uma metamorfose, mas só que no final, não é uma borboleta que nasce. No cinema atual, onde a única sensação que importa é de terceira dimensão, nós temos diversas outras sensações, a de dor, de aflição, de angústia, de vertigem e principalmente de pavor.
As atrizes estão absurdamente bem, Mila Kunis, como a bailarina sensual que acabou de chegar à companhia e são com ela algumas das cenas mais interessantes do filme, Barbara Hershey, como a mãe opressora e Winona Ryder, quem diria, ressurge como a bailarina prestes a aposentar e de quem Nina é fã. Mas quem dá um show mesmo é Natalie Portman, que entrega física e psicológica, que profundidade e que intensidade a Nina dela tem. A melhor atuação feminina que eu vejo em muito tempo e que não deve passar despercebida pela Academia.
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O filme, pra mim, se resume numa só palavra: OBRA-PRIMA.
ResponderExcluir=)