Tom Ford, o renomado estilista, faz aqui a sua estreia como diretor. E não poderia fazer da melhor forma. Temos uma filme doloroso e profundo, com uma recriação deslumbrante do início da década de 60.
O filme aborda um assunto bastante peculiar, a "viuvez" em um relacionamento homossexual. George é um professor universitário que perde seu companheiro (Jim) em um acidente de carro, depois de 16 anos de relacionamento e ele não pode nem se despedir, já que a família não aceitava o relacionamento. O filme se passa no dia que ele resolve se matar, pontuado com lembranças do amado. O filme mostra também os desdobramentos do seu sofrimento na relação com uma grande e íntima amiga e também num intrigante interesse de um jovem aluno seu. Claro que não falta charme e diálogos arrebatadores, daqueles que dão vontade de anotar pra repetir um dia.
Tom Ford realiza seu trabalho com um visível perfeccionismo, tudo no filme é belo e elegante, figurino, fotografia, trilha sonora, cenografia e ele mostra ter uma carreira bastante promissora, parece ser daqueles profissionais que fazem tudo com grande afinco e tudo que tocam vira ouro. O George do Colin Firth transborda sofrimento e passa bem longe da afetação e do melodrama, indicação merecida ao Oscar, ainda bem que ele saiu de comédias românticas que escondiam seu talento. Julianne Moore faz o papel da amiga que vive uma vida vazia e faz um pequeno papel, que é quase uma aparição e acaba se tornando a melhor cena do filme. Por fim, Nicholas Hoult, mais conhecido por seu papel na série Skins, faz o papel do aluno, recheado de incertezas, mostra que cresceu e que tem tudo pra fazer a carreira deslanchar, é só escolher os papéis certos em filmes certos.
Triste mesmo é constatar que algumas pessoas ainda tem que esconder o que são e ser invisíveis aos olhos de terceiros.


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